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Jul

SOLOS: RAÍZES DA AGROECOLOGIA E DA AGRICULTURA FAMILIAR

Solos saudáveis ​​contribuem para a produção de alimentos seguros à saúde humana. Para manter um solo com qualidade, a manutenção do estoque de carbono é fundamental, mas observamos diariamente a exploração de solos pela agricultura, conduzindo-os a elevados níveis de degradação, com grande perda do estoque de carbono do solo, contribuindo para a poluição das águas e o aumento da fome e desnutrição.

Os solos se constituem na base para o desenvolvimento agrícola, exercendo funções essenciais nos agroecossistemas, contribuindo à segurança alimentar e à manutenção da vida na Terra.

Isso chama a nossa atenção para um recurso crucial que sustenta a agricultura e a vida, mas que não tem sido alvo da atenção necessária, especialmente nos sistemas agrícolas predominantes.

Mas, ao refletirmos sobre a essência da relação do ser humano com o solo, nos vêm a clareza de que o nosso conhecimento coletivo sobre a saúde do solo só pode ser eficaz se realizado com a colaboração dos agricultores que são importantes guardiões do solo em todo mundo. Salienta-se que há guardiões dos solos e exploradores dos solos.

Solos saudáveis ​​contribuem muito para sistemas agrícolas mais resistentes, que são essenciais para a subsistência das comunidades agrícolas. Nesse contexto, a matéria orgânica do solo é fundamental para a produção sustentável de alimentos em todas as regiões.

Muitos agricultores precisam compreender sobre a importância desse recurso natural!

Assim, o desenvolvimento e adoção de estratégias agroecológicas bem sucedidas são fundamentais para aumentar a matéria orgânica em seus solos, usando pousios, adubos verdes, cobertura permanente (viva e morta), consorciações de culturas, rotações de culturas, entre outras práticas e técnicas fundamentais para fortalecer os solos, tornando-os cada vez mais vivos.

É importante compreender que a saúde do solo pode ser entendida como a sua capacidade contínua para funcionar como um sistema vivo vital, sendo essencial na manutenção dessa saúde para assegurar a saúde das plantas, dos animais e do homem. A chave para a qualidade do solo (física, química e biológica) é a matéria orgânica.

Com a perda da qualidade do solo nos sistemas simplificados, há a necessidade urgente do reequilíbrio, com ênfase na matéria orgânica, adotando-se práticas e processos agroecológicos.

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 Mas, porque nos esquecemos disso?

Antes da década de 1940, a matéria orgânica era um tema chave nas conferências internacionais sobre o solo. Há uma riqueza quase esquecida de conhecimento baseado em pesquisa sobre o valor e gestão de matéria orgânica.

Mas as coisas mudaram depois da Segunda Guerra Mundial. A matéria orgânica do solo perdeu a sua importância, devido ao processo de produção artificial de nitrogênio. O impacto sobre rendimentos de milho, por exemplo, foi tão grande que muitos pesquisadores e os políticos se convenceram de que o fertilizante químico poderia resolver a fome global.

Com esta nova ênfase nos fertilizantes químicos, pesquisadores mundialmente renomados trabalhando em matéria orgânica do solo foram sistematicamente negligenciados. As revistas científicas não estavam mais interessadas em publicar suas pesquisas.

Sob a influência do poder econômico e político da indústria química, foram promovidas novas variedades e métodos de produção que exigiram grandes quantidades de fertilizantes.

Os fertilizantes químicos eram muito mais fáceis de aplicar. Ou seja, com alguns sacos de fertilizantes, aparentemente, obtinham-se resultados idênticos ou até melhores do que quando se utilizavam grandes quantidades de materiais orgânicos, que são volumosos. Rapidamente, tendeu-se para a simplificação dos agroecossistemas, longe da agricultura diversificada e especializada em gado ou culturas. Assim, métodos agroecológicos para a construção e manutenção de solos saudáveis, vivos e resilientes foram esquecidos, em sua maioria.

Ao longo dos anos, diante de solos se degradando continuamente, muitos agricultores familiares resgataram algumas práticas tradicionais e adotaram novas técnicas para restaurar e melhorar seus solos. Assim, a adoção de práticas agroecológicas vêm sendo fundamentais para combater a degradação de solos em todas as regiões e aumentar a resiliência e a autonomia dos agricultores.

Esse processo tem gerado vários benefícios com a “reconstrução de solos” por meio da adoção de práticas e técnicas agroecológicas, melhorando a segurança alimentare nutricional de milhares de famílias, a resiliência nas comunidades agrícolas, além de contribuírem estrategicamente para diminuir os efeitos das mudanças climáticas e mitigação. Ou seja, com a agroecologia podemos reconstruir solos e fortalecer pilares para a vida em sua plenitude!

Fonte: https://www.ileia.org/2015/03/22/editorial-soils-roots-agroecology-family-farming-lie/

Site: ILEIA – Strengthening family farming rooted in agroecology