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Jul

SE AGROECOLOGIA É TÃO IMPORTANTE, POR QUE SÃO POUCOS AGRICULTURES QUE ADOTAM?

Olá Pessoal!

Gostaria de iniciar destacando que vários cientistas e agricultores vêm realizando um amplo trabalho para que a agroecologia torne-se destaque em meios políticos nacionais e internacionais, aliado aos esforços de agroecologistas e ambientalistas, e defensores de políticas que buscam o desenvolvimento e a valorização da agricultura de base ecológica.

Isto se reflete no avanço generalizado da sociedade civil para a ampliação da agroecologia como um “caminho” para a diminuição da pobreza, fome, erosão cultural, poluição agrícola, contaminação dos alimentos por agrotóxicos, perda da biodiversidade florestal e animal, e redução dos gases de efeito estufa atribuídos à agricultura industrial.

Destaco que são muitos os benefícios da agroecologia, tais como: geração de renda comparável ​​aos sistemas convencionais, produção de alimentos ricos em nutrientes sem contaminação química, maior resistência às mudanças climáticas que os sistemas convencionais, diminuição da contaminação ambiental, aumento da biodiversidade nos agroecossistemas, dentre outros.

Então, se a agroecologia é tão importante, por que são poucos os agricultores que adotam?

Segundo o relato de agricultores, grande parte dos subsídios, avanços tecnológicos e recursos financeiros, são destinados principalmente para a produção agrícola de larga escala, ou seja, produção de commodities. Enquanto, apenas uma pequena parte chega às pequenas propriedades, que conduzem seus sistemas em bases agroecológicas. Isto contribui para a diminuição do interesse dos agricultores em trabalhar com a agroecologia.

Com base na experiência do Diretor Executivo do Instituto de Política e de Desenvolvimento Eric Holt Gimenez, o mercado nacional e internacional exigir commodities agrícolas, torna-se os agricultores dependentes de pacotes tecnológicos e quando ocorre variação dos preços dos produtos, esses agricultores buscam mais tecnologias para aumentar a produção e diminuir as despesas. Assim, resulta num maior consumo de insumos químicos. Os subsídios não causam excesso de produção, apenas contribui para os rendimentos dos agricultores que estão dependentes de um sistema de superprodução capitalista.

Considero que o corte de subsídios agrícolas seria como retirar benefícios dos consumidores de baixa renda, prejudicando aqueles que lutam na parte menos favorecida de um modelo capitalista. Deste modo, os agricultores se tornam bloqueados devido à pressão imposta pelo modelo agroindustrial de larga escala, não abrindo espaço para a agroecologia.

Analiso que falta apoio público, cultural e social à agricultura em bases agroecológicas, ao desenvolvimento de cadeias de abastecimento familiares e integração da agroecologia com instituições de pesquisa, para o desenvolvimento de novas tecnologias e práticas. Além disso, há grande carência do apoio aos movimentos sociais de base ampla para a agroecologia e a produção e agregação de valor de alimentos saudáveis. Esses são alguns caminhos para melhorar os sistemas alimentares.

Pondero, ainda, que há necessidade de realizar trabalhos contínuos e bem estruturados para que a Agroecologia possa avançar de modo a se tornar amplamente adotada, e não uma alternativa.  No entanto, grandes partes dos interesses econômicos são diretamente relacionadas com a agricultura capitalista, com características de plantações massivas e mecanizadas, cadeias de fornecimento global.

Com base na temática acima, entendo que há grandes obstáculos para o desenvolvimento da agroecologia, os quais estão relacionados com os interesses do sistema agrícola industrial convencional. Além disso, a questão mais importante é como a agroecologia pode ajudar o sistema alimentar nacional e internacional. Para tal, sabe-se que a agroecologia tem grande potencial, mas ainda há carência de estudos para se ter mais segurança e subsidiar políticas públicas mais estruturadas para apoiar a agroecologia.

Fonte:http://www.huffingtonpost.com/eric-holt-gimenez/if-agroecology-is-so-grea_b_10867084.html

Site de acesso: The Huffington Post