26
Set

Quebra-Ventos: Forte aliado na luta contra o vento em excesso

O uso de quebra-ventos pode ser muito eficaz para conter a ação maléfica dos ventos intensos às lavouras. São denominadas quebra-ventos, quaisquer formas de defesa contra o vento e consistem normalmente por meio de faixas de barreiras geralmente compridas e estreitas, orientadas perpendicularmente à direção dos ventos dominantes, ou seja, cortando o sentido do vento.

Os materiais utilizados são os mais variados, desde barreiras mortas como cercas e paliçadas, porém as mais utilizadas são barreiras vivas formadas por fileiras de árvores e arbustos.

Os sistemas aerodinâmicos de quebra-ventos são importantes para o controle do microclima e proporcionam melhorias nas condições ambientais e controle de algumas doenças vegetais, além de produzir matéria prima florestal, embelezar a paisagem, entre outros benefícios.

As ações mecânicas dos ventos intensos prejudicam as culturas e podem provocar danos físicos nas folhas, caules, flores e frutos e até mesmo provocando a queda nos mesmos, diminuindo a produtividade.

Outro efeito indesejável é o acamamento (deitamento) da cultura, independente do estágio da planta, porém ela é mais evidenciada em estágio adulto, aumentado os prejuízos.

O acamamento é muito comum em culturas mais altas, como a cana-de-açúcar e o milho, mas acontece também em soja, trigo e em muitas outras espécies vegetais.

Diversos materiais podem ser usados como quebra-ventos, desde cercas, telas e paliçadas, até árvores, arbustos e capineiras altas. As espécies mais usadas são a grevílea (Grevilea robusta), o eucalipto (Eucalyptus spp.), a leucena (Leucaena leucocephala), a bananeira (Musa spp.), o grandu (Cajanus cajan), a cana-de-açúcar (Saccharum sp) e o capim elefante (Pennisetum sp).

Mas, independente do material utilizado, alguns critérios básicos devem obedecidos a fim de que os quebra-ventos se tornem realmente eficazes. Os principais são:

  1. Altura – Uma barreira de quebra-ventos deve ser, pelo menos, entre duas a três vezes mais altas que o cultivo a ser protegido. Desta forma, para se proteger uma parreira de 1.70 m, a altura do quebra-vento deve ser, no mínimo, 3,40 m.

  2. Distância – a distância a ser protegida pelo quebra-vento, ou entre quebra-ventos paralelos, é proporcional à sua altura (h) e varia conforme a declividade do terreno (tabela 1). Uma espécie vegetal de 5 m de altura (h), por exemplo, em um terreno de 4% de declividade protege uma faixa de largura de 7,10 vezes a sua altura, o que corresponde a 35,5 m. Vale destacar que a declividade máxima recomendada para a fruticultura é de 20%.

  3. Permeabilidade – O objetivo de um quebra-vento é reduzir a velocidade do vento, sem impedir o seu fluxo. Por isso, sua permeabilidade deve variar entre 20% e 50%. Ou seja, o vento deve passar pela barreira.

  4. Comprimento – Uma barreira quebra-ventos deve ter um comprimento de, no mínimo, vinte vezes a sua altura (20 h), acompanhando a direção perpendicular dos ventos predominantes da região, sempre que possível. As especiais utilizadas devem ser plantadas em fileira dupla ou até tripla, dependendo da espécie vegetal, prevenindo possíveis falhas.

Utilizando-se quebra-ventos de forma correta e com auxílio de um profissional da área, a chance de aumento de produtividade, aliados à melhoria da qualidade dos produtos é muito alta, já que muitas vezes o vento que pode ser aliado, acaba se tornando prejudicial para algumas plantações.

Abraço

Professor Milton