29
Jan

Piscicultura Orgânica – Já ouviu falar?

Quando pensamos em alimentos orgânicos, logo nos vem em mente hortaliças e frutas, correto? Isso porque são mais comuns e fáceis de encontrar, mas você sabia que existem peixes orgânicos?

Alimentos orgânicos, que são mais saudáveis e sustentáveis, são cultivados em fazendas que eliminaram produtos químicos e fertilizantes sintéticos e que atendem certos padrões previstos na legislação.

As empresas que comercializam os alimentos podem usar termos como “natural” ou algo afim com alguma liberdade, mas apenas o Ministério da Agricultura pode aprovar o rótulo “orgânico”.

Um tomate orgânico, por exemplo, deve ser cultivado sem pesticidas; um frango orgânico não pode receber antibióticos, mas, e os peixes, o que os faz orgânicos?

A piscicultura orgânica é a criação de peixes em água isenta de contaminantes ou poluentes, sendo que os organismos devem ser alimentados naturalmente (p. ex.: plâncton, nécton, bentos, ou vegetais) ou receber ração “orgânica”, utilizando preferencialmente alevinos e pós-larvas de cultivos “orgânicos”.

A normatização da atividade está inserida na Lei nº 10.831/03 e Instrução Normativa nº16/04 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e, segundo essa lei, esta produção deve conservar o ambiente e proteger os consumidores, sendo proibido o uso de terapêuticos sintéticos, produtos químicos e organismos geneticamente modificados.

O bem-estar das espécies cultivadas deve ser priorizado em todas as fases de produção e abate. Em caso de necessidade de tratamento, primeiramente devem ser empregados métodos naturais (por ex., controle físico – secagem, frio; compostos inorgânicos atóxicos – sal, cal virgem; compostos orgânicos naturais atóxicos – ácido cítrico; substâncias naturais vegetais – alho, cravo, neem; e homeopatia de pó de pedra).

O estoque deve ser originário de empreendimentos orgânicos e, na ausência comprovada dos mesmos, será permitida a introdução de sementes convencionais, desde que estas adquiram pelo menos 90% de sua biomassa em regime orgânico.

Em Gaspar – SC, por exemplo, o cultivo de peixe é intenso. Só de tilápia são produzidas 500 toneladas no ano. Um projeto desenvolvido pelo IFSC (instituto Federal de Santa Catarina), pioneiro no estado na técnica orgânica, teve o desafio de inovar criando rotinas agroecológicas para o cultivo e com certificação.

A principal espécie produzida neste projeto é a carpa capim (Ctenopharyngodon idella) que, como o próprio nome diz, consome como alimento principal o capim. Assim, todo o processo teve que passar por adaptações, desde o tanque com adubação orgânica até o capim que consumiam era orgânico.

Uma grande vantagem com essa técnica de cultivo é a economia, tendo em vista que o custo com ração pode chegar a 70% das despesas totais do cultivo. Já imaginou se ao invés de ração, fossem usados alimentos orgânicos de baixíssimos custos para a engorda dos peixes?  Logo, além dos benefícios à saúde dos consumidores, para o produtor pode ser um excelente negócio.

Professor Milton