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Jul

PENSAMENTO LOCAL: CONSERVAR FLORESTAS ATRAVÉS DO USO

As paisagens funcionais melhoram a conservação do meio ambiente?

O manejo agroecológico de sistemas sob controle ativo das comunidades que vivem na região, pode ser melhor do que as áreas que governos reservam para a conservação como uma paisagem intocada, como exemplo uma mata nativa.

As áreas de florestas controladas por comunidades tradicionais podem ser utilizadas como um ambiente de uso extrativista consciente, aliado à preservação da biodiversidade e de uma grande diversidade de processos naturais, gerando, porém, a produção de alimentos e renda para as famílias locais. Assim, essas comunidades contribuem para a fiscalização e o monitoramento da preservação dessas áreas.

Diversas experiências mostram que áreas reservadas para a conservação, que são controladas pelos governos, tornam-se mais susceptíveis ao desmatamento e à perda da biodiversidade, devido à falta de inspeção diariamente.

Esse processo é bastante comum, especialmente nos países em desenvolvimento, onde o modelo dos parques nacionais costuma ser contrário aos sistemas tradicionais de propriedade da terra.

Como exemplo, a Bacia Amazônica e suas florestas tropicais, onde estão as melhores áreas protegidas. É notório que grande parte da bacia está sob alguma forma de proteção ambiental do estado, mas de acordo com vários estudos, os oásis de verde são principalmente onde as comunidades indígenas gerenciam a floresta para seus próprios usos.

Já as áreas que não possuem comunidades tradicionais atuando, os resultados são diferentes, pois ocorrem ameaças à preservação ambiental provocadas por madeireiros, fazendeiros e mineiros de ouro, entre outros minerais.

Estudos revelam que as terras indígenas aparecem eficazes, particularmente para reduzir a pressão do alto desmatamento, em relação às áreas de proteção integral. Nessas áreas, os forrageiros e coletores locais estão diariamente percorrendo e fiscalizando-as.Para eles, proteger as florestas não é um trabalho, é um dever ancestral.

No entanto, a visualização de paisagens funcionais como pontos favoráveis de conservação pode se estender muito além das terras indígenas. Como por exemplo, na Amazônia está sob alguma forma de proteção, mas é uma paisagem de trabalho, protegendo por aqueles que usam isto; não um modelo de pureza. Estes lugares têm uma longa história de manipulação da floresta.

Um exemplo claro ocorre em Costa Rica, onde teve uma das mais altas taxas de desmatamento do mundo nas décadas de 1960 e 1970. Mas isso foi revertido, e possui duas vezes mais cobertura florestal do que há 30 anos.

Assim, o papel das comunidades que exploram a natureza como agentes de conservação é claramente visto na gigantesca Reserva da Biosfera Maya, criada há 30 anos para proteger a maior floresta tropical restante da América Central. São as áreas que menos sofreram o desmatamento, considerando que a área com a proteção total do parque nacional diminuiu a invasão por fazendeiros criadores de gado.

Seria tolo dizer que tudo está bem com as florestas tropicais do mundo!

Obviamente, pois o desmatamento continua em ritmo acelerado em muitas regiões. No entanto, trata-se de comunidades tradicionais rurais que possuem um papel ecológico fundamental para preservar suas terras e suas origens. Trata-se de trabalhar paisagens aliadas ao desenvolvimento local sustentável.

Fonte: https://wle.cgiar.org/thrive/2016/09/28/thinking-local-conserving-forests-through-use

Site: CGIAR – Research Program on Water, Land and Ecosystems