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Out

Monocultura e os riscos à saúde do planeta e à nossa

Por definição, a monocultura envolve o plantio e cultivo de apenas um tipo de produto, uma única espécie de interesse agrícola cultivada em um grande espaço, estabelecendo uma relação pobre com o solo.

Em geral, esse tipo de atividade é mais comum em latifúndios, mas, infelizmente, também é comum em pequenas e médias propriedades, como é o caso dos produtores de soja e café, e torna o produtor dependente de um único produto para a geração de renda.

No Brasil, as produções mais comuns que se utilizam da monocultura são o café, o eucalipto, a cana-de-açúcar e a soja. Dependendo da região, as espécies vegetais são outras, mas o processo monocultural é o mesmo.

A monocultura é caracterizada por um espaço de terra, muitas vezes em grandes propriedades agrícolas de baixa produção, que é destinado para o plantio de um único produto. Mas, extinguir a possibilidade de diversidade de produtos acarreta inúmeras consequências, não apenas para o solo, mas para os animais e para as pessoas que habitam o local.

Entre as principais consequências negativas da monocultura, podemos destacar:

– Dificuldade para encontrar alimento por parte dos animais silvestres típicos da região, levando-os a invadir centros urbanos e outras áreas em busca de comida, se tornando presas fáceis;

– Redução da fauna natural do local, já que a falta de alimento faz com que os animais tenham dificuldade de se reproduzirem;

– Aumento das pragas e doenças nas espécies vegetais cultivadas, que não encontram inimigos naturais (predadores e parasitas, por exemplo), resultando no uso ainda maior de agrotóxicos;

– Redução no uso da mão de obra, contribuindo para o aumento do êxodo rural;

– Interrupção do processo natural de reciclagem dos nutrientes do solo, tornando-o pobre e diminuindo sua produtividade;

No Brasil, o sistema de cultivo monocultural é realizado por meio da substituição da cobertura vegetal original por uma única cultura. Isso porque, ao derrubar – em alguns casos, queimar – uma grande área, há a interrupção do processo natural de reciclagem dos nutrientes, tornando o solo pobre e diminuindo a produtividade.

Além disso, a compactação do solo, desmatamento, consumo excessivo de água e energia em projetos irrigados e processo de assoreamento de rios e nascentes também são consequências do uso de monocultura.

 Ao retirar uma área vegetal diversificada (desmatamento), os animais também enfrentam problemas, já que passam a ter dificuldades em se alimentarem, encontrar abrigos e, consequentemente, se reproduzirem.

Existem casos em que os animais que sobreviveram procuraram áreas urbanas para se abrigar, tornando-se presas fáceis.

Os impactos negativos da monocultura não param por aí. Com o uso deste sistema a economia também é prejudicada, já que há altos riscos de doença ou pragas, além da queda do preço do produto no mercado, colocando a cadeia produtiva regional em perigo.

Além de tudo que já foi citado, a monocultura também é responsável pelo aumento do uso de agrotóxicos, isso porque, como dito anteriormente, o risco de pragas é mais perigoso nesse sistema, já que pode comprometer toda a cadeia.

Logo, em um momento tão delicado que nosso planeta está vivendo, sendo degradado a cada dia sem limites e ponderações, há necessidade urgente de substituir métodos que agridem o meio ambiente.

Adotar alternativas de produção que respeitem o solo, o meio ambiente e que fomente a agricultura familiar é sempre a melhor opção.

Professor Milton Padovan