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Nov

Mercado de produtos orgânicos estimula consumidores a uma vida mais saudável

Os produtos orgânicos ganham força e adeptos a cada dia. Atualmente existem feiras, mercados e diversos outros lugares que enxergam neste tipo de produtos uma boa fonte de renda e de ganho. Pensando nisso, diversos agricultores tidos como convencionais, estão aos poucos migrando para a agricultura orgânica.


Dos 200 boxes do Ceasa (Centrais de Abastecimento do Estado de Santa Catarina), por exemplo, que distribuem produtos e alimentos para todo o Estado, principalmente hortifrutigranjeiros, apenas um é exclusivamente de produtos orgânicos. Isso é fruto de um projeto organizado pelo Cepagro (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo) e oferece desde grãos, frutas e verduras, até sucos e geleias.

Atualmente consumidores buscam cada vez mais os orgânicos, porque estão querendo melhorar a saúde, mas nem todos sabem como identificar se o produto é confiável, é orgânico de fato, já que muitos produtos que não possuem as mesmas condições de adubagem e plantio, são vendidos como orgânicos.

O agricultor Xisto Besen, 45 anos, é um exemplo de quem mudou de vida após o consumo de orgânicos. Além de mudar seus hábitos alimentares, ele também trocou a produção convencional pela orgânica, há 13 anos, incentivado por um biólogo chamado Besen. A mudança ocorreu depois de quase perder o pai pela segunda vez, em 1990, por intoxicação com agrotóxicos usados na lavoura. “Percebi que o problema não seria só para quem consumisse, mas principalmente para nós que trabalhávamos direto na lavoura. A gente não se preocupava e às vezes nem usava proteção para mexer com os agrotóxicos. Temos outra vida, continuo trabalhando com a família, mas me sinto bem melhor”, conta.

A Lei dos Orgânicos (10.831/03) aprovada em 2003 trouxe mais garantia de qualidade à produção e à comercialização. Também foi criado o Sisorg (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica), que é um selo que garante procedência e licença do produto. O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) credencia e fiscaliza as entidades certificadoras, que avaliam se os produtos estão de acordo com a lei.

Quando os orgânicos são vendidos em supermercados, na maioria das vezes, eles estão embalados e separados dos produtos comuns para que não haja contaminação, já que é cultivado sem agrotóxicos e sem fertilizantes químicos. No caso de feiras, a legislação não exige o selo, porém os produtores devem apresentar a Declaração de Cadastro de Produtor vinculado à Organização de Controle Social.

Eduardo Amaral, presidente do Conselho Estadual de Produção Orgânica do Mapa, explica que as propriedades orgânicas são sempre fiscalizadas e as entidades que fazem certificação são auditadas anualmente. “Nossa principal ação é no caso de indícios ou denúncias. Os fiscais vão até o local e verificam toda a situação do empreendimento: licenciamento, documentação, riscos de contaminação”, diz. Caso alguém esteja fora das normas, fica suscetível a penalidades, entre advertência, suspensão da licença, inutilização do produto e multa. Tudo isso para garantir a qualidade da produção dos orgânicos.

Marcelo Farias, coordenador de projeto de desenvolvimento rural sustentável do Cepagro, um dos responsáveis pelo Box de orgânicos do Ceasa, acredita que grande parte dos consumidores não presta atenção no que come e só depois de um problema buscam opções para uma vida mais saudável. “As pessoas não têm noção de onde vem o alimento, do que estão comendo. Acham que tudo é seguro e vão mais pela aparência do que pelos nutrientes. Consumidores estão adormecidos”, ressaltou.

Sendo assim, a qualidade dos produtos orgânicos é inquestionável. As plantas, incluindo-se a fruteiras e hortaliças crescem mais fortes e resultam em produtos mais saborosas. Os orgânicos mantêm os nutrientes essenciais e não contêm produtos artificiais, como resíduos de venenos, que são usados durante a produção agrícola convencional.

Este consumo mais saudável também muda a vida de quem consome e de quem produz. Vale sempre a pena buscar o máximo de informações possíveis sobre a procedência dos alimentos orgânicos, para que eles cumpram realmente o seu papel.