17
Ago

Hortas Agroecológicas Urbanas – Entenda e Pratique!

A agricultura é à base de muitas coisas, não só da nossa alimentação, mas também da produção de matérias-primas que servirão para fazer tecidos, papéis, produtos de limpeza, cosméticos e muitos outros produtos que utilizamos no dia a dia. Existem diversas formas de fazer agricultura, umas mais impactantes como é o caso da agropecuária, outras menos, como é o caso da agricultura agroecológica.

Imagine que a maioria dos produtos, incluindo os alimentos de casa, percorre longas distâncias até chegarem ao supermercado. Essa distância entre o local de produção e consumo traz consigo uma série de prejuízos, e isso se dão em decorrência da configuração das cidades que normalmente separaram a parte “rural”, destinada à produção de insumos e alimentos (setor primário e secundário) da parte urbana, destinada à produção de serviços e comércio de bens (setor terciário).

Essa forma de desenvolvimento que separa o local de produção de alimentos do local de consumo (urbano x rural) possui uma série de desvantagens, vejamos:

Desperdício e encarecimento do produto final

No percurso do alimento in natura até a prateleira do supermercado, e de lá pra nossa casa são gastos combustível, mão de obra e espaço para alocação. Sem contar que no trajeto uma parte dos alimentos pode acabar estragando, gerando desperdício e prejuízo.

Aumento da poluição e impacto ambiental

Com a necessidade de aumentar a produção para substituir as perdas, aumenta consequentemente a poluição oriunda da queima de combustíveis utilizados em maquinarias e no transporte.

Aumento da necessidade de processamento

Tendo em vista a dificuldade em manter os alimentos intactos in natura, surge a necessidade de formas de processamento que aumentem a vida útil desses produtos durante o transporte e armazenamento. Porém, muitas vezes essas técnicas de processamento são prejudiciais à saúde, como é o caso dos produtos em que são adicionados gordura.

Prejuízos à saúde

Na agricultura e pecuária convencional não é empregada a técnica de produção orgânica – os métodos utilizados são baseados no uso de produtos agrotóxicos, principalmente pesticidas com base em organoclorados, que são prejudiciais para a saúde humana e ambiental.

Se a produção de alimentos é diferente do local do consumo pode gerar tantos malefícios, a agricultura urbana orgânica pode ser uma excelente idéia de sustentabilidade e dever social.

A agricultura urbana orgânica (livre de agrotóxicos e insumos sintéticos) é uma prática complementar às atividades agrícolas desenvolvidas em meio rural, com o diferencial de estar integrada aos sistemas econômicos e ecológicos urbanos. Ela é praticada no Brasil inteiro principalmente por pessoas que têm a atividade agrícola como base para a subsistência.

Uma das principais características da agricultura orgânica é a aproximação do local de consumo do local de produção e possui uma série de vantagens, veja:

Reduz o desperdício

Ao aproximar consumidores da fonte de alimentos, a agricultura na área urbana possibilita redução no desperdício causado pelo transporte e armazenamento. Para quem tem uma horta próxima, por exemplo, é possível colher os alimentos praticamente na hora de preparo, o que evita transporte em longas distâncias e armazenagem, permitindo comer um alimento fresquinho e com zero desperdício, pois até as cascas podem retornar para a horta e serem utilizadas como composto.

Melhora o aproveitamento de nutrientes e sabor

Tendo controle sobre a forma de produção evita-se a aplicação de agrotóxicos, optando por uma agricultura orgânica, mais saudável e barata.

Reduz o consumo de industrializados

Quem não prefere preparar um chá gelado de limão e hortelã fresquinho direto da horta no lugar de consumir aquela caixinha de chá pronto que pode conter conservantes, agrotóxicos, corantes, é mais cara e ainda gera descarte no final (a caixinha)? Com uma disponibilidade de alimentos frescos à disposição, é provável que estes sejam preferidos em detrimento dos industrializados, principalmente para pessoas mais pobres.

Utilização das ervas na fitoterapia

O tratamento de doenças ou sintomas por meio das plantas, também chamado de fitoterapia, possui viabilidades comprovadas cientificamente. Isso ocorre desde que sejam utilizadas as plantas certas na concentração e forma corretas. Por isso é preciso informar-se.

Destina adequadamente os resíduos de origem vegetal

Muitas vezes quem já realiza a compostagem dos restos de alimentos  e de outros resíduos vegetais não sabe o que fazer com o produto gerado (húmus e biofertilizante). Se esse é o seu caso, esse é mais um motivo para começar a praticar a agricultura urbana e destinar seu composto para a adubação do solo.

Um dos maiores problemas em áreas urbanas são os espaços ociosos. Praças, terrenos, canteiros, sacadas e quintais muitas vezes destruídos e não habitados podem vir a ser utilizados como locais de cultivo.

Dar início à prática da agricultura urbana com uma horta no quintal é maravilhoso, mas imagine ainda expandi-la para espaços públicos maiores em que a vizinhança possa ajudar a cuidar e a usufruir dos benefícios? Compartilhar um espaço de cultivo também significa fazer novos amigos e/ou passar um tempo agradável com filhos, avós e netos, uma forma de potencializar os laços sociais.

É comum achar que só é possível começar a cultivar alimentos em espaços enormes com grande disponibilidade de solo. Mas pensar assim é um equívoco, até quem mora em apartamento pode começar os seus cultivos. É possível cultivar alimentos até na janela de casa.

Incentivar a agricultura urbana é contribuir para a sustentabilidade socioambiental. Pratique essa ideia! 

Um Abraço

Milton