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Jun

Feira Orgânicaou Agroecológica: Ótima fonte de Renda e de sustentabilidade

Hoje em dia, muitos buscam alimentação saudável. Enas feiras livres “Orgânicas ou Agroecológicas” são os locais mais adequados para começar a realizar esse desejo.

Vamos apresentar um belo exemplo que serve de referência para tratarmos desse assunto. Em Porto Alegre foi criada uma feira que reúne produtores de orgânicos da agricultura familiar. A feira orgânica é um sucesso, já que atrai quem produz pensando na saúde e quem consome pensando no bem-estar.

A Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE), em Porto Alegre,consolidou-se como um espaço onde os consumidores encontram alimentos totalmente livres de agrotóxicos. Mas não é só isso, pois ela se tornou também um ponto de encontro e de convergência de pessoas, grupos sociais e entidades interessadas em agroecologia, agricultura familiar, gastronomia e defesa do meio ambiente. Uma das curiosidades é a história por trás dessa feira que já está perto de entrar em sua terceira geração. Quem vai à feira hoje, encontrará jovens produtores e produtoras que frequentam as suas bancas desde bebês.

É o caso, por exemplo, de Franciele Bellé, que começou a participar da feira ainda na barriga da mãe, AldaciBellé. “Fui criada dormindo embaixo da banca ou sentada encima da banca, quando ela estava sendo montada. As pessoas passavam e perguntavam brincando: Quanto é que custa essa mercadoria? Quero levar. Várias outras meninas também têm a mesma história”, lembra. Franciele Bellé faz parte de uma geração que praticamente nasceu dentro da feira e que decidiu seguir o trabalho dos pais, escolhendo a agroecologia não só como modo de produção, mas também como modo de vida.

Amélia Lovatto e Francielle Belle em sua própria banca quando pequenas. (Foto: Arquivo Pessoal)

“A gente tem uma qualidade de vida muito melhor aqui”

 A história de MaiaraMarcon também está intimamente ligada à da feira. Seus pais começaram a participar da FAE em 1990, um ano antes dela nascer. No início, a família comercializava poucos produtos, mas com o passar do tempo foi aumentando a diversidade de oferta. A viagem de cerca de 200 quilômetros, de Ipê a Porto Alegre, passou a ser semanal. Hoje, está na primeira banca da feira, “a banca dos feijões”, como é conhecida.

Maiara tentou trilhar seus próprios caminhos, mas nas três tentativas de sair da colônia, percebeu que a qualidade de vida na colônia é muito melhor: ‘’A gente tem uma qualidade de vida muito melhor aqui. A alimentação é cem por cento melhor. As pessoas na cidade às vezes são muito preconceituosas com quem vive na colônia. Eu odiava fazer faculdade porque me chamavam de colona e coisas assim. Mas eu nunca tive vergonha de ser colona e nenhum dos jovens que vivem aqui tem vergonha. Ninguém tem vergonha de dizer: eu moro no interior e produzo alimento orgânico”, conta.

 

Hoje, além de agricultora ecológica, ela participa da coordenação da Rede Ecovida, uma articulação de famílias produtoras em grupos informais, associações ou cooperativas, que tem uma forte presença da juventude. Ela destaca que a agroecologia foi um fator decisivo para ela permanecer trabalhando no campo. “O diferencial foi o orgânico. Tu pode falar com qualquer um dos jovens do nosso grupo que eles vão dizer a mesma coisa. Eu acredito que a agricultura orgânica segura muito mais jovens na colônia do que qualquer outro tipo de trabalho no interior”.

Biodinâmica: “a agricultura orgânica com um tempero mais”

Gabriel Riva Matias, 18 anos, trabalha com agricultura orgânica e biodinâmica desde pequeno e a sua família há 22 anos. Participantes de uma cooperativa chamada Pão da Terra, a família de Gabriel trabalha com panifícios e horta. Ao todo, são 56 variedades, entre pães, bolos e biscoitos, e, na horta, 86 variedades ao longo do ano. Trabalham também com uma tecnologia orgânica de produção, a biodinâmica, que envolve conhecimentos, ao mesmo tempo tradicionais e sofisticados. Esses conhecimentos envolvem áreas como astronomia, química e biologia, entre outras. A biodinâmica é agricultura orgânica com um tempero a mais, resume. “Ela trabalha com o calendário lunar, com as fases da lua, e também com as constelações e planetas. De dia a gente não vê, mas as estrelas e planetas seguem ali. Dependendo da sua movimentação, há dias melhores para um determinado plantio ou para fazer alguma mudança na horta. Tudo isso através da observação do céu.”

Parte do “tempero a mais” da biodinâmica é a sílica, um preparado à base de silício moído que é colocado na água, onde permanece por uma hora. Depois ele é aplicado na lavoura. “Logo depois de uma chuva, ou mesmo de uma tempestade, esse preparado traz luz para a lavoura, ajudando ela a se recompor”, exemplifica Gabriel. Além desse composto de silício, outro ingrediente da produção biodinâmica é o fladen, um preparado que também é diluído na água e depois colocado na lavoura. “É um preparado para a terra que ajuda a decompor matéria orgânica e as plantas a se enraizarem. Ele ajuda as plantas e a terra a trocarem informações entre si. Um vai complementando o outro”, explica.

“Eu sei que nunca vou passar fome”

Amanda Lovatto, 23 anos, também participa da FAE desde que era um bebê. Hoje cursando Agronomia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Amanda sempre quis trabalhar com alimentos e pretende seguir nesta área e, nem de longe, vê a opção de trabalhar com a terra com algo associado ao atraso, em relação às escolhas oferecidas nas cidades. “Com um pedacinho de terra, você pode fazer muita coisa. Eu sei que nunca vou passar fome e que posso tirar uma renda segura dali. Mesmo se algum dia eu quiser ter outras experiências fora de casa, sempre vou ter essa segurança de voltar para esse pedacinho de terra que a gente tem lá em Farroupilha”.

Nos três estados do sul, a maioria das propriedades é de pequenos e médios produtores. Daí a importância dessas feiras como canal de escoamento da produção até os consumidores.

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