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Nov

Agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa

O agronegócio em maiores escalas, induzem a produção agrícola baseada no monocultivo, nas grandes e médias propriedades rurais, com uso intensivo de agrotóxicos. Consome cerca de 70% dos recursos de terra e água do planeta, mas produz apenas 30% do alimento mundial. Além disso, esse modelo de produção gera 40% das emissões de gases de efeito estufa, enquanto que a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos que chegam às mesas das pessoas, utilizando apenas 30% dos mesmos recursos.

Diferente do que prega o discurso de muitas corporações ligadas à agricultura, a produção de alimentos de modo convencional, com uso de pesticidas e baseados na monocultura, não é a principal fonte de alimentação da humanidade. Segundo dados do grupo de ação sobre erosão (ETC), tecnologia e concentração, a agricultura familiar é responsável por cerca de 70% do alimento que chega à nossa mesa.


Já a agricultura convencional, produz 30% do que consumimos e gera 70% de prejuízo para o meio ambiente com seus altos índices de degradação do solo, poluição e uso de agrotóxicos.

A concentração de insumos agrícolas e sementes transgênicas nas mãos de poucas empresas, impulsionam também a dependência de fertilizantes químicos e pesticidas, contaminando todas as formas de vida.
“Em Mato Grosso, por exemplo, foi feita uma pesquisa onde a água, a terra, o ar, os alimentos, tudo, até o leite materno de mulheres amamentando, está envenenado por agrotóxicos”, enfatiza Regina Reinart, encarregada de projetos da Misereor na América Latina.

Dos 504 agrotóxicos liberados no Brasil, 30% são proibidos na União Européia pelos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente. As consequências sociais, sanitárias e ecológicas desse modelo de produção atingem, principalmente, os povos e comunidades tradicionais, como afirma Reinart.
Pesquisas têm relacionado o uso de agrotóxicos com o aumento no número de doenças psiquiátricas e suicídios no meio rural.


No âmbito político, a bancada ruralista, conjunto de deputados e senadores que representa o agronegócio corporativo no Legislativo brasileiro, articula para restringir direitos dos trabalhadores do campo enquanto patrocina propostas como o Projeto de Lei 6.299/2002, conhecido como lei do veneno, aprovado em comissão especial da Câmara dos Deputados no dia 25 de junho de 2018. A proposta pretende facilitar a produção, importação, registro e comércio de agrotóxicos no Brasil.

Sendo assim, continuo chamando a atenção, como sempre em meus artigos, que a informação e o conhecimento são armas poderosíssimas na luta a favor de um planeta sustentável. A partir do momento que entendermos os riscos que estamos expostos, consumindo alimentos que foram produzidos de forma convencional, tenho plena certeza que deixaríamos de consumir imediatamente.

Professor Milton