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Jul

A AGROECOLOGIA NA RECUPERAÇÃO DE SOLOS DEGRADADOS E ALCANCE DA SEGURANÇA ALIMENTAR

A agroecologia pode restaurar o funcionamento de agroecossistemas, a partir da melhoria da saúde do solo, como uma estratégia eficaz para alcançar a segurança alimentar das famílias que residem no meio rural.

Algumas políticas agrícolas em diversos países visam apoiar a produção de alimentos suficientes para uma população em crescimento, garantindo, simultaneamente, a restauração ambiental, incluindo a melhoria da qualidade e conservação dos solos e dos agroecossistemas.

No entanto, surgem questionamentos de como lidar com a necessidade urgente de restauração dos solos e do meio ambiente como um todo, aliado à produção de alimentos para alimentar milhões de pessoas.

Apesar de ser o componente principal de quase toda a produção de alimentos, as áreas rurais também detêm um grande contingente de pessoas com insegurança alimentar no mundo.

Atualmente, cerca de 33% dos solos do mundo estão moderadamente a altamente degradados, sendo que 40% destes solos estão localizados na África, e a maior parte do restante situa-se em áreas onde predomina a pobreza e insegurança alimentar (FAO, 2015).

Esse cenário nos indica que a degradação dos solos exerce grande influência na insegurança alimentar e nutricional das famílias rurais, devido não ter a capacidade para a produção suficiente de alimentos.

Assim, fica evidente a necessidade de ações estratégicas imediatas, especialmente a nível local para reverter a degradação dos solos, para aumentar a produção de alimentos e aliviar a insegurança alimentar das famílias, principalmente aquelas regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Nesse contexto, a Agroecologia representa o caminho para reverter a degradação dos solos. A Agroecologia engloba múltiplas dimensões do sistema alimentar, incluindo restauração ecológica, estabilidade política e social e sustentabilidade econômica, ao contemplar interações entre solo, plantas, animais, seres humanos e meio ambiente dentro dos sistemas agrícolas.

A adoção da abordagem agroecológica começa por restaurar a vida do solo e a multiplicidade de processos decorrentes, a fim de restabelecer e melhorar os múltiplos processos biológicos que ocorrem no solo. Isso requer o aumento e monitoramento da matéria orgânica do solo.

Além disso, torna-se necessário facilitar o monitoramento da biodiversidade no solo, utilizando-se conhecimentos locais dos agricultores, em parceria com as escolas do campo, valorizando experiências populares e científicas participativas.

Na agroecologia adotam-se estratégias específicas como às policulturas e os sistemas agroflorestais, as culturas de cobertura e a rotação de culturas e a integração de cultivos agrícolas com a criação de animais, que garantem produções e rendimentos locais estáveis e diversificados durante o todo o ano. Isto contribui para a disponibilização de uma grande diversidade de alimentos para as famílias, garantindo segurança alimentar e nutricional, bem como a comercialização do excedente da produção durante o ano todo.

Na realidade, há muitos agricultores que atuam estrategicamente como gestores de agroecossistemas promovendo a restauração dos solos. Há muitas experiências notáveis, em regiões distintas, em que os agricultores demonstram uma compreensão profunda na adoção de práticas para reconstruir solos degradados. Eles são os principais gestores desse recurso natural, os quais testaram, adaptaram e descobriram práticas agrícolas que restauram a vida dos solos e produzem grande diversidade de serviços ecossistêmicos.

Os solos que são bem geridos pelos agricultores familiares ajudam a garantir as diferentes dimensões da segurança alimentar, mantendo o solo com disponibilidade e fornecimento adequado de nutrientes para o crescimento das culturas, melhorando o rendimento familiar através de colheitas mais confiáveis. Também garante-se a estabilidade e conservação da água para sustentar quase todo o ano de cultivo, bem como a colheita de produtos alimentícios nutritivos e saudáveis, oriundos de solos saudáveis.

Assim, os diversos arranjos de produção em bases agroecológicas enraizados no conhecimento ecológico local e baseados na diversidade de sistemas e sinergias ecológicas pode melhorar significativamente a qualidade do solo e reverter intensos processos de degradação, aumentando, com isso, a produção de alimentos isentos de aditivos químicos e nutritivos.

Ressalta-se que a agroecologia faz parte do “Quadro Estratégico da FAO” (Food and Agriculture Organization), em especial quanto aos objetivos estratégicos de tornar a agricultura, a silvicultura e a pesca mais produtivas e sustentáveis, aumentando a resiliência dos meios de subsistência e redução da pobreza rural.

Fonte: http://www.fao.org/soils-2015/news/news-detail/pt/c/317402/

Site: Food and Agriculture Organization of the United Nations